Talvez me perguntem o que é o cristianismo das catacumbas. Vou dizer o que não é: não é a fundação de mais uma igreja. Pelo menos não no sentido que atribuímos a “igreja” hoje. Não estou propondo uma nova seita, ou uma nova tradição religiosa cristã. Não quero disputar espaço com as religiões estabelecidas. Não tenho tais pretensões.
Mas gostaria que se entendesse o significado de “igreja” que uso. O termo vem do grego ekklesia, e quer dizer “comunidade, assembléia reunida”. O cristianismo das catacumbas deve ser entendido como sendo uma comunidade de pessoas que se reúnem em torno da pessoa de Cristo, de sua mensagem, do apoio mútuo para superar as dificuldades que o mundo atual apresenta àqueles que querem se dedicar, pelo exemplo de vida, a viver o que ele nos anunciou.
Quanto à questão da autoridade, tão importante nas “igrejas” atuais, deve ser vivida segundo o próprio Cristo nos relata nos evangelhos, de acordo com o testemunho dos evangelistas: deve ser vivida como serviço. Não deve existir na valorização do cargo e nem servir como algo que distinga alguém dos demais, mas deve ser um mandato a servir a todos e a cada um, no aprofundamento do próprio seguimento. Quem pretende ser visto como autoridade no cristianismo das catacumbas deverá ser aquele que serve, que admoesta, que ajuda, que se preocupa com a vida, o cotidiano de todos, independentemente de se dizerem seguidores do Cristo no espírito das catacumbas ou não, de serem pessoas com outras tradições religiosas, de não acreditarem em Deus.
A autoridade no cristianismo das catacumbas se conquista pela maior fidelidade às palavras de Cristo, fazendo cotidianamente o que ele nos prescreveu. Se conseguirmos transformar em vida vivida suas palavras, o que nos leva, indubitavelmente, a um maior cuidado e zelo por todas as pessoas ao nosso redor, então conquistaremos uma autoridade, que não é separadora, não é distintiva, fazendo de nós pessoas “especiais”, com direitos e privilégios diferentes, mas fazendo de nós exemplos vivos de como colocar em prática as palavras de Cristo, referências para a “comunidade”, a igreja. Não queremos hierarquias, papas, padres ou pastores. Temos aquelas pessoas que exercem papéis de destaque como tradutores das palavras de Cristo para a ação. Mas não queremos que nos impinjam formas de pensar baseado apenas na autoridade de quem diz ser aquilo verdade. A verdade suprema é o ser humano e o bem supremo é mitigar o sofrimento da pessoa humana.
Gustavo Lopes Borba
17/09/07
Autoridade
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